Retrospetiva 2020 – Uma reflexão sobre o ano atípico

Retrospetiva 2020 – Uma reflexão sobre o ano atípico

21 de Janeiro, 2021 0 Por Diogo Teixeira

Aquele momento pelo qual muitos de nós esperávamos finalmente chegou – acabou o ano de 2020. Desta vez não foi passar para um novo ano, mas sim terminar o ano antigo.

Não vou mentir, fui uma dessas pessoas. Durante este ano fiquei frustrado por a minha vida ter caído a pique a certa altura. Assumi simplesmente que este ano devia ter sido passado à frente. Mas será que devia?

Espero conseguir responder a isso no fim deste artigo onde irei passar pelos momentos mais marcantes deste ano na minha vida. Aliás, foi por isso que criei este blog. Para ser um espaço onde posso inspirar, desabafar e refletir.

Turquia (Janeiro 2020)

O ano começou com uma das viagens que eu mais antecipava. Desde a última vez que eu tinha ido à Turquia, eu sabia que ia ser logo a minha grande viagem seguinte novamente. E assim foi. Esperei que um amigo meu fosse de Erasmus para lá e fui visitá-lo durante 2 semanas – agora sim, ninguém conhece Istambul melhor que eu!

Vou ser sincero, não foi das minhas viagens favoritas em termos de lazer e descoberta. Istambul, apesar de ser muito diferente do que estou habituado, é uma cidade muito dispersa e cheia de gente. Tudo fica a 2 horas de distância, não se consegue andar livremente em lado nenhum e sente-se a poluição no ar. 

Mas isso não torna Istambul menos especial. Aliás, vou muito interessante. Vou sentir falta de acordar todas as manhãs no vigésimo andar, apanhar o minibus com 50 pessoas lá dentro, o metrobus que percorria a metrópole toda, a comida maravilhosa que me fez chorar por mais, a simpatia dos locais, a oportunidade de ter visto tantos velhos amigos que conhecia no meu erasmus e todos os momentos que vivemos juntos. 

Como sempre digo, as pessoas é que fazem de uma viagem uma boa viagem. E por isso, esta viagem será sempre especial para mim.

Poderás ler mais sobre a minha viagem à Turquia em Janeiro de 2020 aqui.

Orientation Week (Fevereiro 2020)

Fevereiro foi um mês difícil. Pela primeira vez, alguns meses antes, tínhamos recrutado muitos estudantes novos de uma só vez para a COMAP – Committee for International Students. Alguns deles eu nunca tinha conhecido em nenhuma circunstância porque os convites para a equipa tinham acabado e isso deixou-me extremamente nervoso porque não tinha a certeza se iam saber lidar com a pressão que é uma semana de receção a estudantes internacionais. 

Mas, mais uma vez, eu estava errado e tudo correu pelo melhor. Na verdade, estes desconhecidos surpreenderam-me e todos eles se tornaram numa família. Aliás, até marcamos uma viagem para Dezembro. Uma história que ficará mais para a frente.Esta Orientation Week ficou marcada pelo jantar e festa mais incríveis que alguma vez tive desde o início da minha vida académica. Uma montanha russa do início ao fim, cheia de histórias que até hoje contamos uns aos outros. Foi o momento que solidificou a nossa união e o início de um ano com muitas histórias e memórias.

Marrocos (Fevereiro 2020)

No dia seguinte à festa, o que fui eu fazer? Viajar para França quase de direta. Para no dia seguinte viajar logo para Marrocos pela primeira vez durante 8 dias.

Muitos dizem que as minhas ideias são malucas. E eu concordo. Mas não seria eu se não o fizesse desta forma. Não seria feliz se assim não fosse.

Esta viagem está no meu top 3. É aquele país que, mal passe a pandemia, quero voltar sem pensar duas vezes. Todos os meses vou vendo formas de lá voltar. Não sei descrever porquê mas toda a experiência que é Marrocos, fascinou-me completamente.

Viajei com a minha namorada na altura. Já não tínhamos um momento sozinhos há quase meio ano. Estávamos numa fase complicada e esta viagem foi o que nos permitiu solidificar a nossa relação (pelo menos pensávamos nós). 

Relações à distância são especiais mas também muito difíceis. E esta viagem, a meu ver, fez com que finalmente destruíssemos a barreira que nos separava emocionalmente. Infelizmente foi a última que alguma vez fizemos mas ficará sempre marcada como uma das melhores que alguma vez fiz. 

Já escrevi alguns artigos sobre Marrocos, mais especificamente por onde passei – Rabat, Chefchaouen e Fez.

Retiro AEISCAP (Fevereiro 2020)

Na retrospectiva do ano de 2019 falei sobre ter entrado na AEISCAP, algo que ambicionava desde caloiro mas que apenas consegui no meu 4º ano. Em Fevereiro, chegou a altura de estarmos pela primeira vez juntos em lazer. 

Passamos um fim de semana em Baião. Durante o dia tivemos algumas formações e jogos de team-building e à noite.. Era o que era. Festa, bebida e muita diversão! Foi um fim de semana onde conheci muita gente fantástica e obtive uma visão completamente diferente do que era a AEISCAP. Foi um ótimo kickstart ao mandato turbulento que nos aguardava.

A Coluna (Março 2020)

Logo após o Retiro da AEISCAP, tive uma entrevista para ingressar na equipa do Jornal A Coluna, um projeto já antigo no ISCAP do qual sempre quis fazer parte mas nunca tive oportunidade. Infelizmente nunca me tinha candidatado porque não estava confiante nas minhas capacidades, tanto de escrita como de design.

Mas espera.. Já passaram 4 anos.. Eu tenho um blog, tenho obtido feedback incrível, já tenho alguma experiência.. Porque não tentar? E foi exatamente o que fiz.

A Coluna este ano foi dos projetos que mais me deu gosto trabalhar. Fiz parte das equipas de Design e Redação. Desenvolvemos uma Magazine Digital e dezenas de artigos todas as semanas durante este ano. Espero poder continuar a trabalhar neste projeto com o mesmo gosto de sempre!

Mais uma prova de que a zona de conforto é um lugar perigoso.

Dia de Acolhimento – Juniscap (Março 2020)

Chegou mais uma vez o dia de acolher os novos trainees na Juniscap (A Júnior Iniciativa do ISCAP). Desta vez, ao contrário do ano anterior, eu seria um dos líderes desta estrutura. 

Tivemos vários momentos de partilha, conhecemo-nos uns aos outros, todos passaram a conhecer a Juniscap e o seu impacto. Para mim isto foi um momento de alto stress pois ia liderar um departamento comercial (que é uma área altamente desafiante para mim) mas felizmente contei uma equipa recheada de grandes talentos que agora fazem parte de algo maior comigo, do qual falarei mais à frente!

A Quarentena (Março 2020)

Até então, o ano tinha sido perfeito. Eu tinha cerca de 7 viagens agendadas por esta altura para o resto do ano. De uma semana para a outra, as escolas fecharam, eu perdi todas as fontes de rendimento que tinha, todas as minhas viagens foram canceladas, todos os projetos tinham sido adiados (ou até mesmo cancelados) e a minha vida atarefada e divertida tinha literalmente congelado.

Lembro-me perfeitamente do último dia antes de ter começado a quarentena. Tinha ido para o ISCAP tirar as fotos de equipa para o Jornal. Coincidentemente, nesse dia encontrei quase todos os meus amigos. Pareceu que estava tudo a acontecer para me despedir de todos durante vários meses.

A quarentena foi difícil. Eu tentei fazer com que parecesse fácil mas não foi. Ver tudo aquilo pelo que tanto trabalhei ir por água abaixo de um dia para o outro foi desmotivante. 
Eu nem consigo pensar em quase nada destes meses. Para mim foi um grande blur que parece que nem aconteceu. E a razão de eu não me lembrar é provavelmente por poucos serem os momentos que foram memoráveis.

O Fim do que poderia ser (Maio 2020)

Para piorar as coisas, eu nunca consegui arranjar forma de ir a França visitar a minha namorada. Cancelamento atrás de cancelamento. Não haviam autocarros nem aviões. As fronteiras estavam fechadas.. Nem de carro poderia ir. Nem podia acompanhar o meu pai no camião porque ele apenas ia até Barcelona. Ao fim de 3 meses em quarentena, ela decidiu acabar comigo.

Esta era a única forma de a minha vida ficar pior. Aconteceu. Provavelmente tinha de acontecer mas na altura foi complicado lidar com tudo ao mesmo tempo e não poder estar com amigos para me distrair de todo o caos à minha volta.

Era suposto eu ter emigrado para França em setembro de 2020 para começar a minha vida com ela. Eu já tinha arranjado um estágio e tinha um plano em mente. A pandemia estragou isso tudo.

Aniversário (Junho 2020)

O meu aniversário chegou poucos dias depois. Os meus pais sabiam o quanto eu estava em baixo e, com as condições que haviam (ainda precárias), tentaram fazer o melhor aniversário que conseguiam.

Agradeço-lhes imenso por este dia. Em casa mas em boa companhia. O que mais podia pedir? Eles nem sabiam o que me tinha acontecido até este dia porque eu raramente falo dos meus problemas mas ninguém me conhece melhor que eles. 

Diferente mas especial, com pandemia ou sem pandemia.

Bares ilegais vs bares e discotecas (Junho 2020)

As restrições já estavam a começar a ser levantadas. E o que surgiu com isto? Uma grande concentração de pessoas nos hotspots de noite no Porto, principalmente onde alguns estabelecimentos (em formato de bar) começaram a abrir, tal como outros estabelecimentos com festas ilegais.

Eu e o meu irmão decidimos expor a situação num mini-documentário. Deslocamo-nos ao Porto a uma sexta-feira e gravamos tudo. Na cordoaria, eram centenas de pessoas em frente à Adega Leonor, a beber e a fumar, sem qualquer distanciamento social e com música nas alturas. A polícia veio e não dispersou ninguém. Apenas avisou algumas pessoas e foi embora.

Para quem está fechado há meses sem poder exercer a atividade noutros moldes, é frustrante. Felizmente, o nosso mini-documentário viralizou e chegou a centenas de milhares de visualizações. Se fez alguma diferença? Talvez sim, talvez não. Mas foi bom saber que fomos capazes de sensibilizar as pessoas para a injustiça que estava a acontecer. Uns são filhos de Deus e outros do Diabo.

Serra da Freita (Julho 2020)

A meio do verão, a pandemia parecia estar mais controlada e as restrições levantaram ainda mais. Foi nesta altura que comecei a rever alguns dos meus amigos pela primeira vez. Por isso, eu e mais dois grande amigos (Bárbara e Filipe, o original acampamento cigano <3), decidimos fazer uma mini road-trip pela Serra da Freita.

Porquê Serra da Freita? Porque eu estava super inspirado pelo Instagram do João Amorim e tentei ao máximo convencê-los que aquele era o sítio que devíamos ir!

E não podia ter valido mais a pena. A Bárbara e o Filipe nunca vão perceber o quão importante para mim foi esta pequena viagem onde acampamos uma noite algures por lá. Para a minha saúde mental foi remédio santo. A partir deste momento é que comecei a levar a vida novamente na positiva. Deixei o passado para trás e comecei a focar-me no futuro.

Eles, sem repararem, fizeram com que eu me curasse. Apenas com uma noite mal dormida numa tenda apertadinha para três e uma boa longa conversa pela noite dentro.

Escola de Verão (Agosto 2020)

Cheguei a meio de Julho ainda sem ideia do que ia fazer da minha vida. Até que uma professora me apresentou um projeto desafiante e interessante – A Escola de Verão em Transformação Digital. Basicamente consistia em um grupo de estudantes desenvolver um projeto de investigação durante 3 meses (de agosto a novembro de 2020) de forma a promover a iniciação à investigação.

O melhor disso? Era um programa super completo com formações, networking e ainda éramos pagos para fazer aquele trabalho!

Mas o melhor de tudo foi mesmo as pessoas que conheci, que foram sem dúvida uma grande highlight no meu ano. Conheci 3 pessoas em particular, com as quais me tornei bastante próximo – a Margarida, o Rui e o Tiago. Porquê? Não fazemos ideia. Talvez por sermos os únicos fumadores naquele grupo de 15 estudantes. 

A verdade é que passamos sempre todos os “intervalos” juntos. Fizemos uma grande jantarada a meio do projeto onde lhes dei a provar a minha derradeira sangria de mojito. Com estes 3 só tenho boas memórias. Infelizmente, quando acabou o projeto em novembro, cada um seguiu o seu caminho e cada um teve os seus contratempos. Mas acredito que no futuro iremos ter mais ocasiões para estarmos juntos e divertimo-nos à nossa maneira novamente.

Arouca (Agosto 2020)

E como não podia deixar de acontecer, após aquele grande acampamento na Serra da Freita em julho, o gang tinha de se voltar a reunir para outra! Desta vez contamos com mais 2 adições – a Raquel e a Renata. 

Como estava a chover, a Renata sugeriu irmos para uma casa dos seus avós em Alvarenga em vez de acampar.

Eu ainda não tenho palavras para descrever isto. Foi um renascer da minha alma mas de forma ainda mais intensa. Eu comecei a dar muito valor a estes momentos em “família” desde a quarentena. Agora tudo o que vivo, sinto muito mais intensamente. Mas também sei que sinto tudo isto desta forma por estar rodeado de pessoas muito boas e que significam imenso para mim.

Comemos, bebemos, tomamos más decisões (principalmente o Fiilipe) mas o que interessa é que foi um belo fim de semana onde criamos memórias e que contribuiu para este ano ser um bocadinho mais positivo.

Orientation Week #2 (Outubro 2020)

Começo do ano letivo. O que isso significa? Mais uma primeira semana caótica onde recebemos centenas de estudantes erasmus. Infelizmente não foi bem assim desta vez.

Desta vez apenas recebemos 60 estudantes e fomos altamente condicionados nas nossas atividades como era de prever. A semana de orientação apenas teve 4 dias e houve uma logística muito mais complicada do que o normal. 

Não tou a dizer que isso foi negativo porque na verdade não foi. Até acho que no fim de tudo, foi das orientation weeks mais especiais para mim. 

A última vez que tínhamos estado todos da equipa reunidos tinha sido em Fevereiro, na última orientation week pré-covid. Só o facto de estarmos juntos a trabalhar pelo causa que nos une, foi especial.

Nesta altura já estava definida a nova equipa – a nova direção e os novos líderes de departamento. A Tomada de Posse ia ser apenas no fim da orientation week mas todos já estavam a desempenhar as suas novas funções. Para mim foi especial por isso mesmo. Há um ano atrás, estas pessoas tinham acabado de chegar e estavam completamente à nora. Desta vez estão a ser autênticos líderes, completamente independentes e consegui ver imensa evolução.

Pareço um pai babado? Talvez. 

Tomada de Posse – COMAP (Outubro 2020)

Mas foi aqui neste momento que eu fiquei verdadeiramente babado e que foi sem dúvida um dos melhores momentos deste ano.

Foi a primeira vez que aconteceu uma cerimónia deste género na COMAP. Todos fizeram um pequeno discurso. E todos eles falaram do quanto eu impactei na jornada deles. Neste momento as lágrimas estão a cair só de pensar no que eu estava a sentir.

Aqui é que eu percebi que comecei neste projeto com apenas 3 pessoas e todas as outras pessoas entraram no projeto de alguma maneira através de mim até sermos 20. O tempo passou tão rápido que eu nem dei tempo do crescimento que tivemos.

Foi igualmente gratificante ver o quão crescidas as pessoas estavam comparativamente ao ano anterior e o quão orgulhosas estavam de subir na estrutura.

Este momento fez-me sentir um grande orgulho de tudo o que a COMAP alguma vez me trouxe de bom (e ainda são muitas coisas mesmo!)

I.S.P 5.0 – Baden-Baden (Outubro 2020)

No ano passado, falei de um projeto de investigação internacional onde iria passar por vários países da Europa para analisar se existe uma identidade europeia. Em Outubro de 2020, era suposto termos ido a Baden-Baden na Alemanha para continuar o nosso estudo.

Infelizmente, o meu voo foi cancelado alguns dias antes. Não foi desta que andei outra vez de avião desde que o COVID chegou. Contudo, participamos no projeto através da alternativa online que tinham preparado. Ainda assim, o espírito do EU-CAB viveu-se em pleno. Não tivemos o tal jantar tradicional do primeiro dia nem as festas todas as noites mas fomos capazes de trabalhar em equipa e conviver como sempre.

Esperemos que 2021 nos traga melhores notícias e consigamos ir ainda à Finlândia, Polónia e Alemanha!

Fórum de Comércio Internacional (Novembro 2020)

Já fiz parte de inúmeros projetos desde que iniciei o meu percurso académico. Mas apenas me faltava uma coisa – organizar um evento de grande escala. Por isso, juntei-me ao Fórum de Comércio Internacional em Novembro – para mim o melhor evento que acontece anualmente no ISCAP.

A edição do ano passado foi algo surreal. O Fórum era visto como o patinho feio dos eventos mas de um ano para o outro arrasou com a concorrência. E foi graças a essa garra e reviravolta que senti que o evento perfeito para mim. Para grande felicidade minha, fui aceite e integro agora o Departamento de Comunicação. O evento está marcado para Março e esperemos que seja um sucesso!

Vice-Presidente da Juniscap (Dezembro 2020)

No dia 1 de Dezembro de 2020, tornei-me Vice-Presidente da Juniscap Business Solutions. Para descrever o que eu senti, deixo aqui um texto que escrevi na altura.

“Hoje, dia 1 de dezembro de 2020, começo uma nova etapa na minha vida. Há cerca de 2 anos atrás, entrei na Juniscap Business Solutions como trainee do departamento comercial. Entrei numa altura em que este projeto se encontrava a dar os seus primeiros passos e ingressei juntamente com a primeira “fornada” de jovens talentos do ISCAP. ⠀

Lembro-me do primeiro dia perfeitamente – o dia de acolhimento. Depois de um dos recrutamentos mais difíceis pelos quais alguma vez tive de passar, as minhas expectativas para este dia eram muito altas. Foi um dia verdadeiramente inspirador. Lembro-me de estar orgulhoso por fazer parte de algo muito maior do que tudo o que me rodeava. Sabia que este projeto me ia proporcionar vastas experiências enriquecedoras para o futuro.⠀

Todos os membros antigos transmitiram alguma lição importante naquele dia, mesmo sem terem reparado. Desde esse dia que ambicionava chegar ao lugar onde eles estavam. Eu queria ser igualmente uma inspiração para novas gerações de jovens talentos. ⠀

Dois anos passaram. Eu próprio liderei o departamento comercial durante o meu segundo ano na Juniscap e, quando surgiu o convite da atual Presidente eleita, Bárbara Moreira, senti que a oportunidade tinha finalmente surgido e que estava pronto para o desafio. ⠀

Hoje, dia 1 de dezembro de 2020, começo uma nova etapa na minha vida. Fui hoje eleito Vice-Presidente Externo da Juniscap Business Solutions. Durante o próximo mandato, estarei naquela posição que sempre ambicionei estar. Não só para proporcionar aos membros integrantes uma experiência enriquecedora, mas também para levar este projeto até patamares nunca antes vistos, tal como merece a nossa querida Juniscap e todos aqueles que nos permitiram estar aqui hoje.”

Inspiring Future (Dezembro 2020)

Mas as coisas ainda podiam ficar melhor. Em Novembro tinha-me candidatado à Inspiring Future. Alguns de vocês podem não conhecer – basicamente, é uma organização sem fins lucrativos que faz um roadshow por escolas secundárias estando todos os dias numa diferente, onde ensinam os estudantes do ensino secundário tudo sobre ensino superior. Depois dessa sessão, existe uma feira no recreio da escola onde os alunos podem falar diretamente com representantes de instituições de ensino superior.

Na altura eu estava à procura do meu próximo grande desafio. A minha bolsa de investigação tinha acabado nesse próprio mês e sentia-me vazio. Até que, a poucos dias de terminar, encontrei um anúncio no linkedin da Unlimited Future a dizer que estavam a recrutar para o projeto Inspiring Future. Aquilo era mesmo a minha cara – equipa jovem, super dinâmicos, carismáticos, alternativos, trabalhadores e um projeto impactante.

Lancei-me. Tive duas entrevistas e fiquei colocado no meio de dezenas e dezenas de candidatos. Iniciei as minhas funções dia 2 de Dezembro e fui super bem acolhido por toda a equipa. Nunca vi um esforço tão grande numa integração. Foi um mês que passou a correr porque adorei realmente tudo o que fiz. 

Não vou mentir, é intimidante pensar que terei de dar workshops a centenas de alunos ao mesmo tempo e correr o risco de mandar umas piadas e ninguém se rir. Mas isso traz desconforto. E desconforto faz superar o medo. E superar o medo faz crescer. Resumindo, era exatamente o que eu precisava.

Madeira (Dezembro 2020)

Mas felizmente o ano não acabou por aqui porque estava destinado a ter um grande final. 

Em Março, antes de sabermos o que nos reservava para este ano, decidimos comprar bilhetes para a Madeira na passagem de ano. Ansiamos por esta viagem durante o ano inteiro. Até que finalmente aconteceu.

Mal aterrei na Madeira, sabia que ia ser a minha melhor viagem de sempre (e para mim dizer isto não é nada fácil!). Aterramos já de noite. Mal os nossos amigos chegaram para nos ir buscar, senti uma felicidade do grupo inteiro que já não sentia há imenso tempo. Só o simples facto de estarmos juntos novamente num lugar diferente, fez com que ficássemos todos radiantes.

Tenciono contar a história toda desta viagem noutro artigo mas, por hoje, deixo-vos um sentimento de gratidão por toda a vida que tenho e por quem faz parte dela. Esta viagem, no seu todo, fez-me perceber que sou um sortudo. Aqueles 8 minutos de fogo de artifício foram o culminar da minha vida. Acho que nunca chorei de felicidade genuína na vida tal como aconteceu naquela noite.

Hei-de voltar. Hei-de vivenciar isto novamente. Hei-de me sentir assim da próxima vez. Mas por enquanto, ficam as memórias no pensamento e as pessoas no coração.

O que retirar deste ano?

Eu refiro-me muitas vezes a este ano como o pior da minha vida. Mas após escrever isto apercebo-me que talvez tenha sido dos melhores. Perdi imensos projetos, perdi imensas fontes de rendimento, perdi um relacionamento, perdi várias viagens e até me perdi a mim mesmo. Por outro lado, surgiram novas oportunidades, abri a minha primeira empresa, ingressei num projeto impactante e estável, descobri imenso sobre mim, tive tempo para assentar e pensar e tive as 3 melhores viagens de sempre.

De qualquer maneira, entre o primeiro confinamento, existe ali um blur. Existem ali uns meses sombrios onde eu achava que tinha chegado ao fim da linha. Mas felizmente soube traçá-la e voltar à realidade. As coisas acontecem desta forma por uma razão. Nada é por acaso. E nada é garantido, nem ninguém.

2020 foi o ano do reset e da aprendizagem. 2021 será a segunda metade. 2022 será a reconquista.