Rabat – A Realeza de Marrocos

Rabat – A Realeza de Marrocos

11 de Agosto, 2020 0 Por Diogo Teixeira

Rabat é a capital de Marrocos, localizada na costa marítima do país e é a casa de cerca de 1.2 milhões de pessoas. Foi considerada um dos destinos promissores de 2013 e faz parte das quatro cidades imperiais de Marrocos. Apesar de ser uma capital, possui um ambiente único, sendo a sua Medina considerada um Património Cultural da UNESCO.

Fiz uma viagem de 2 dias e 1 noite a Rabat enquanto estive em Marrocos. Fui de comboio desde Fes e o bilhete custou cerca de 180DH (18€) ida e volta. Os comboios inter-cidades de Marrocos são normais.. semelhantes aos da Europa Central, contudo, ligeiramente mais velozes. O que torna as suas viagens em algo magnífico são as paisagens que podemos acompanhar ao longo do trajeto. Uma viagem de comboio é sempre melhor quando o trajeto visto da janela é lindo.


Avenida principal

Não dá para passar despercebido. É a primeira vista mal se sai da estação de comboios. Uma avenida enorme, cheia de palmeiras enormes e bandeiras de Marrocos com uma grande torre no fundo. O nosso hostel localizava-se no fim desta avenida, cuja entrada na Medina situava-se exatamente ali, no final.

Foi um choque para mim. Eu tinha vindo de Fes e Chefchaouen e, como tal, estava à espera de encontrar as mesmas situações de vida precárias, estradas degradadas e pessoas a tentaram vender tudo o que têm a qualquer custo. Bem, não foi nada disso que aconteceu.

Deparei-me com uma vista incrível. Uma das avenidas mais lindas e bem organizadas que alguma vez vi. Descer aquela avenida foi um grande prazer. Não conseguia tirar os meus olhos das palmeiras, das bandeiras, dos edifícios, de nada! Eu nem queria saber do meu hostel, só queria ficar ali parado a olhar.


Medina de Rabat

Demoramos mais a descer a avenida do que esperávamos. Isto também porque estávamos muito confusos com as direções. Tinhamos as indicações erradas para chegar ao hostel.. acontece.

Até que, dois homens com idade avançada nos perguntaram se precisávamos de ajuda. Ora, o nosso instinto foi logo: “Não, obrigado. Nós estamos bem, a sério!” Tentamos ao máximo afastar-nos deles porque achávamos que ia acontecer o mesmo que faziam em Fes com os turistas.. Mas eles insistiram e avisaram-nos que as pessoas de Rabat não eram como as de Fes, após confessarmos a nossa preocupação.

Ambos falavam francês e após alguma conversa, um deles falava Português.. de Portugal! Aliás, ele falava francês, espanhol, português, italiano, árabe.. perdi a conta! Fiquei também a saber que ele tinha família no Porto. Foi uma conversa muito engraçada.

Eles acompanharam-nos até à porta do nosso hostel, introduziram-nos a amigos seus de lá perto caso precisássemos de alguma coisa e foram mesmo muito atenciosos! Completamente o contrário das pessoas de Fes.

Ao passearmos pela Medina – espaçosa, acolhedora, bem cheirosa e elegante (o contrário de Fes) – percebemos que o comportamento dos vendedores é muito diferente. Eles apenas nos ajudam caso precisemos e não nos seguem para tentar vender. Foi mesmo muito agradável poder finalmente estar numa Medina de Marrocos e, simplesmente, desfrutar.


Palácio Real

Após arrumarmos as malas no hostel.. rumo à descoberta! Começamos por fazer uma visita ao palácio real.. e nós realmente achamos que íamos ver um palácio. Estávamos redondamente enganados.

Primeiro, demoramos 3 horas a encontrar a entrada certa. Não sei dizer-vos qual é a entrada certa, apenas os locais são capazes. Perguntem antes de ir, não vale a pena tentarem por vocês próprios. Aprendam com o meu erro!

Quando entram, o guarda reencaminha-vos para uma sala de espera onde é obrigatório darem TODOS os dados dos vossos passaportes. Após isso, podem entrar dentro do “bairro real”.

Após todo este processo demorar cerca de 30 minutos, começamos a caminhar pela bairro a dentro. Caminhamos ainda algum tempo.. não víamos carros nem pessoas. Estávamos prestes a voltar para trás até que vimos uma avenida enorme, vazia, com uma grande porta de entrada para um palácio do outro lado, com cerca de 15 guardas e 2 tanques em frente a ela e imensos turistas.

Havia um grande espaço vazio, com uma pequena mesquita do lado contrário do palácio onde as pessoas aproveitavam para tirar fotos. Eu pessoalmente fiquei estupefacto com a grande avenida completamente vazia e, por isso, tirei a foto que podem ver em cima. Após tirar a foto, os guardas vieram reclamar comigo porque não podia atravessar para o lado do palácio. Nem era essa a minha intenção. Pelos vistos, não podemos ir além daquele ponto.

Moral da história: o rei tem um grande espaço só para ele com algumas casas da parte de fora do palácio. 15 guardas só a guardar a entrada e outros 20 a guardar todas as entradas da muralha. Enquanto uns passam fome no resto do país, Rabat tem isto. Os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.

Mesmo assim, recomendo visitarem e verem com os vossos olhos. Gratuito – “apenas” ficam com os vossos dados.


Chellah

Após o palácio real, caminhamos até à Chellah que fica a cerca de 10 minutos. Trata-se de uma grande fortaleza medieval, mais tarde usada como um cemitério da realeza.

Agora é apenas um museu e dentro desta estrutura ainda permanecem ruínas da fortaleza original. Nós apenas visitamos do exterior pois já tínhamos visitado o Borj Nord em Fes e achamos que seria mais do mesmo, apesar de ser barato.

Ainda assim, de fora é magnífico e deu para umas belas fotografias!


Torre Hassan

A nossa visita prolongou-se até à Torre Hassan. Esta torre, quando foi planeada, era suposto tornar-se no minaret (torre de mesquita) mais alta do mundo, atingindo os 86m de altura. Contudo, as construções pararam nos 44m em 1199, nunca tendo sido retomadas.

O espaço, apesar de amplo e escondido, tinha um número considerável de pessoas para a época baixa. Provavelmente por ser fim de semana mas mesmo assim, foi agradável. Novamente, um local para tirar umas belas fotos e apreciar arquitectura antiga.


Kasbah des Oudayas

Chegando o fim do dia e após uma longa caminhada pela costa, visitamos o Kasbah des Oudayas, também de entrada gratuita.

Dentro das muralhas, está um jardim enorme de um lado. Desorganizado mas com uma beleza única. Com plantas exóticas e imensos gatos bem tratados a trepar todas as árvores.

Do outro lado, uma pequena esplanada com vista para o mar onde paramos para tomar um chá.


Zona costeira

Para terminar o dia, caminhamos até à foz para assistir a um dos pores do sol mais belos do Atlântico. Contudo, toda a zona costeira de Rabat possui uma vibração incrível.


Isto tudo no primeiro dia. No dia seguinte apenas andamos pela Medina de manhã e a meio da tarde partimos de volta para Fes.

Honestamente, desfrutei muito mais de Rabat do que Fes. Sem dúvida que as pessoas fazem toda a diferença. Em Rabat, senti-me livre, seguro e sem pressão alguma. Comparando com Fes, é muito mais calmo e organizado. Não se vê tanta pobreza mas também a essência não é a mesma.

Rabat esconde uma realidade que o resto do país vive – a miséria. As ruas fora da Medina são compostas por casas luxuosas e o rei tem a sua própria cidade privada dentro da cidade. As pessoas que vivem e trabalham em Rabat (na maioria para o estado), vivem uma vida confortável, enquanto que o resto vai sobrevivendo um dia de cada vez.

Um contraste infeliz, mas real.

Esta é a realidade de Marrocos e entre Rabat e Fes deu para perceber perfeitamente. Por isso, recomendo presenciarem este contraste ao visitarem Rabat e qualquer outra cidade no país.