Mont-Saint Michel – A maravilha da Normandia

Mont-Saint Michel – A maravilha da Normandia

24 de Junho, 2020 0 Por Diogo Teixeira

Quantas vezes já viram esta maravilha incrível no vosso feed do Instagram? Eu sempre fiquei maravilhado de ver uma beleza destas, mas nunca pensei que na realidade fosse algo muito mais gigantesco do que as imagens mostram. Parece que saiu diretamente de um conto de fadas. Rodeado de água e areia que mais parece terra branca está um dos Patrimónios Mundiais da UNESCO mais incríveis de todo o mundo.

Esta ilha de aproximadamente 1 quilómetro quadrado é um dos tesouros mais reconhecidos da França, mas poucos o presenciam. Com uma população de 30 habitantes, localiza-se na costa noroeste com uma área total de 400 hectares. É visitado por cerca de 3 milhões de pessoas por ano e possui 60 infraestruturas dentro das suas muralhas que são hoje protegidos e reconhecidos como monumentos históricos.

Há uns meses atrás tive o privilégio de fazer uma paragem neste local história e hoje deixo-vos a minha experiência em primeira mão.


Data: Junho de 2019

O verão estava a começar e o clima em França começava a ficar quente. Era a altura perfeita para uma roadtrip e portanto decidimos cruzar a costa oeste da frança de norte a sul, sendo que a nossa paragem mais antecipada seria o Mont-Saint Michel.

Tinhamos conduzido mais de 8 horas desde Toulouse até ao topo da França com pouquíssimas paragens. Chegamos a tempo do pôr do sol e já conseguiamos ver o Mont-Saint Michel ao longe, contudo já era tarde para podermos entrar. Por isso, decidimos parar a carrinha perto de um moinho numa zona alta onde conseguiamos ver o Mont-Saint Michel de longe e apreciar as cores do pôr do sol a refletirem na ilha. Uma das vistas mais incríveis da minha vida. Pouco depois de começar a escurecer, conseguimos ver as luzes das pequenas casas a iluminarem, pouco a pouco, a ilha no seu todo.

O entusiasmo não nos deixou dormir muito e quando adormecemos já era bem tarde. Acordamos com o barulho de um trator e percebemos que não deviamos ficar ali muito mais tempo. Lembro-me que era bem cedo e ainda não podiamos entrar para visitar a ilha, por isso movemos a carrinha e tomamos o pequeno almoço enquanto esperavamos para podermos estacionar no parque mais próximo da ilha.

Quando finalmente já estava na altura de estacionarmos, percebemos que a caminhada ainda era longa para alcançar a ilha. A ponte, que enquadrava perfeitamente no cenário, era uma caminhada que nos ia durar, pelo menos, uns 40 minutos. Contudo, encontramos um grande grupo de pessoas numa paragem de autocarro e perguntamos se o autocarro ia para o Mont-Saint Michel – a resposta foi positiva. Quando o autocarro chegou, percebemos que o autocarro era gratuito para quem tinha estacionado no parque (juntou-se o útil ao agradável). Em menos de 10 minutos já estavamos em frente ao Mont-Saint Michel e só aí nos apercebemos da grandiosidade. Parecia um castelo enorme que só vemos nos filmes da Disney.

Estavamos muito curiosos relativamente à areia, pois esta aparentava ser bastante diferente do normal. Por isso, antes de entrarmos, decidimos caminhar um pouco sobre a areia. A areia era bastante mole e parecia que sugava os nossos pés se ficássemos quietos – algo bastante estranho que não consigo descrever muito bem. A água ainda estava longe mas sabiamos que não podíamos ficar durante muito tempo. Contudo, ainda gastamos uns 30 minutos à procura da proteção da lente da minha camara que deixei cair na areia enquanto fotografava a ilha desde a ponte.

Quando decidimos entrar, já havia muita gente. Para apenas 30 habitantes, a ilha era muito viva. As pequenas lojas dentro das muralhas possuíam um ambiente muito acolhedor e os famosos crepes do norte da frança estavam sempre a chamar por mim. Não lhes consegui resistir e tive de provar um (vale a pena!).

As pequenas ruas eram o local perfeito para qualquer fotógrafo tirar as melhores fotografias que alguma vez tirou. Não é por acaso que vemos sempre tantas fotografias incríveis deste lugar. A camara nunca me saiu da mão porque todos os cantinhos eram dignos de mais um registo.

As árvores filtravam perfeitamente entre as ruas e as casas e, apesar de ser um grande terreno cheio de muito para explorar, o tempo passou a correr. Parecia que apenas tinhamos estado 30 minutos lá dentro quando na verdade já lá estavamos à 2 horas a caminhar aos círculos sem nos cansarmos.

Finalmente decidimos entrar no castelo e, por grande surpressa nossa, o castelo tinha entrada gratuita para menores de 27 anos (por esta eu não estava à espera). No topo do castelo e através das suas grandes janelas, tinhamos uma vista incrível de toda a ilha e conseguimos presenciar um fenómeno incrível. A água em poucos minutos cercou completamente as muralhas, já era impossível estar na areia. Aparentemente isto é muito comum acontecer e é possível prever quando isto vai acontecer com a hora e os dias exatos! Depende muito do clima também.

Quem me conhece sabe que eu não sou muito de visitar o interior de castelos, mas este deslumbrou-me principalmente pelas vistas e do seu ponto estratégico. Foi algo impressionante, sem dúvida.

Depois da visita, paramos por um restaurante para tomar café. Ficamos no exterior e, mais uma vez, conseguiamos ver tudo o que nos rodeava com uma grande vista panoramica. O café até me soube melhor. Contudo, não fiquei pelo café pois os malditos crepes… vocês percebem.

Após umas horas bem passadas dentro das muralhas, decidimos voltar à carrinhar, rumar à estrada e seguir viagem mais para o centro.


E aqui fica a história da minha visita ao Mont-Saint Michel. Na minha opinião, dos pontos mais altos das minhas viagens no último ano e um lugar onde certamente vou querer voltar.

Caso queiram visitar o Mont-Saint Michel de carro, a estrada é muito boa e chegasse lá sem qualquer problema. O estacionamento custa menos de 10€ e podem ficar o dia inteiro, contudo é preciso respeitar os horários. Para pernoitar, existem vários parques de campismo baratos e locais calmos fora da cidade.

A forma mais fácil de lá chegar, sem ser de carro, é voar para Paris e, desde lá, apanhar um comboio direto para Rennes. Desde Rennes, existem vários shuttle buses para o Mont Saint Michel.

Um local único a não perder.