A arte de remar contra a maré

A arte de remar contra a maré

6 de Março, 2021 0 Por Diogo Teixeira

Data: 5 de outubro de 2020

Ontem foi mais um daqueles dias péssimos. Sinto que me estou a tornar a pessoa que nunca quis ser. Transpiro ódio, ganho raiva e sinto nojo de muitas pessoas que já me foram muito mas que agora vejo como uma perda de tempo investido. Na verdade, eu apenas quero viver num ambiente pacífico, partilhar amor e viver bons momentos, deixando os maus passarem ao lado.

Se estou a escrever, é porque não estou bem. Esta negatividade está a tomar conta de mim e sei que estou prestes a desistir de tudo e de todos. Sei que as coisas estão a melhorar e a voltar ao normal cada vez mais depressa mas não consigo sarar todas as feridas que estes meses geraram.

Eu costumo dizer que o tempo cura todas as feridas. Começo a duvidar das minhas próprias palavras. Tenho feridas que abrem cada vez mais com o passar dos anos.

E sei que as de 2020 vão ficar comigo para sempre e que devo encará-las como uma aprendizagem. Sem arrependimentos, apenas com ensinamentos. Pegar em tudo isto e tornar-me uma pessoa melhor. Não deixar que a negatividade me molde como pessoa.

Tenho de continuar a fazer o que sempre fiz – remar contra a maré. A arte que me permitiu sempre estar um passo à frente do meu lado obscuro.

Há uns anos atrás, assumi apenas um princípio como lema de vida: ser positivo. Seja qual fosse a situação. Este ano, pela primeira vez, quebrei várias vezes aquilo com que me comprometi a mim próprio. Deixei-me levar.

Estou desiludido comigo próprio. Mas sei que o meu estado de espírito foi altamente influenciado por quem me rodeava e quem não partilha do mesmo “senso comum” que eu. A esses, mantenho a maior distância possível. Não me merecem.